| Pronunciamento
do Presidente do Conselho de Administração
da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto, no encontro Café com
Finanças
23/09/2004
Este é o 1º Encontro de uma série que
a BM&F realizará a cada 30 dias, em parceria com
a CVM e e com a ASBACE.
É
também a primeira vez que recebemos na BM&F o
Sr. Presidente da Comissão de Valores Mobiliários,
cuja presença muito nos honra.
O objetivo desse encontro é discutir temas de interesse
do mercado.
O mercado de derivativos está crescendo no mundo todo,
tanto nas bolsas quanto no balcão.
Segundo os dados da Futures Industry Association, no primeiro
semestre deste ano houve um aumento de 19% no volume de contratos
futuros negociados em bolsas em escala global, em comparação
com o primeiro semestre do ano passado.
Vemos, nas estatísticas da FIA, nomes novos como a
Bolsa de Soja de Dalian, na China, negociando 31 milhões
de contratos no semestre passado, com um aumento de 10% sobre
o primeiro semestre de 2003. Trata-se de um mercado totalmente
eletrônico, mostrando a extraordinária capacidade
da economia socialista chinesa para assimilar mecanismos
de mercado.
Visitamos recentemente a Bolsa de Dalian e acabamos de
assinar com os chineses um Memorando de Entendimentos, que
pode conduzir
a um contrato de soja com base no produto brasileiro.
Convidamos a bolsa de Rosário, na Argentina, para
essa parceria.
O mercado de derivativos está crescendo em todas as
direções, seja nos mercados financeiros, seja
de índices de ações, seja nas commodities
em geral, porque resolve problemas simples. Recentemente
o presidente da Swaps Dealers Association, numa palestra
promovida pela Febraban, comparou os swaps – uma modalidade
de derivativos – a um adaptador de tomada de corrente
num barbeador ou qualquer aparelho elétrico. Os adaptadores
são cada vez mais usados porque permitem converter
fluxos de caixa de uma moeda em outra, fluxos de juros pos
em pré-fixados (ou vice-versa) etc.
Esse mercado está crescendo, também, porque
a novas tecnologias permitem alcançar um número
cada vez maior de pessoas, empresas de pequeno e médio
portes e até mesmo as pessoas físicas através
da Internet.
Por exemplo, os contratos mini de um índice de ações
lançado por uma bolsa de Chicago registraram no primeiro
semestre deste ano um volume de 85 milhões de contratos.
Quatro anos atrás ninguém falava em contratos
minis de índices de ações na Internet.
Hoje esse contrato é um dos seis mais negociados do
mundo.
Como eu disse recentemente em um Congresso sobre o Mercado
de Capitais em Brasília, os derivativos são
cada vez mais uma indústria global. Diante dessa indústria
global o Brasil tem duas opções:
- ou participa ativamente e defende seu espaço;
-
ou vai exportar o mercado de trabalho de suas corretoras
e de seus operadores, vai exportar a liquidez de suas bolsas
e vai exportar também a capacidade de regulação
e auto-regulação para o exterior.
Estamos aqui, hoje, para discutir temas de interesse do
mercado e queremos enaltecer esta parceria com a CVM e com
os Bancos
Estaduais. Esses encontros vão permitir que caminhemos
todos na mesma direção.
Muitas das iniciativas de uma bolsa como a BM&F nascem
desse tipo de iniciativa, do contato com o mercado, das sugestões
que recebemos através das câmaras consultivas
e do trabalho do nosso corpo técnico.
Muito também depende dos órgãos reguladores,
pois o mercado de derivativos é extremamente competitivo
e sensível a cunhas fiscais ou quaisquer outros fatores
que influam no processo de formação de preços.
Estamos discutindo ativamente com as autoridades algumas
dificuldades que tiram a competitividade do hedge das instituições
não financeiras.
Entendemos a presença da CVM neste encontro com o
mercado como um sinal de que todos, na iniciativa privada
e no governo, estamos do mesmo lado.
Queremos manter a capacidade competitiva das nossas bolsas
e corretoras e queremos – repito - que a capacidade
de regulação e auto-regulação
fique no Brasil.
No dia de hoje teremos uma exposição sobre
novos instrumentos de financiamento para o mercado agropecuário
que poderão ampliar as pontes entre o setor financeiro
e o agronegócio, o setor que mais alavanca o crescimento
da economia brasileira.
No próximo dia 6 de outubro estaremos reunindo também
nesta sala o Grupo Temático do Ministério da
Agricultura para seguro e crédito, onde esperamos
sugerir importantes medidas para melhorar a armazenagem e
aumentar a liquidez dos papéis com lastro em mercadorias
depositadas.
Quero enaltecer uma vez mais esta parceria com a CVM e
com a ASBACE, bem como a presença de todos os que vieram
aqui hoje com o espírito participativo que caracteriza
a BM&F e seus associados.
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